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Clube Filatélico de Portugal

O Primeiro Voo Transatlântico da História da Aviação PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Fernando M. Oliveira   
Quinta, 17 Setembro 2009 23:01

 

O Primeiro voo Transatlântico da História da Aviação

Lisboa-Nova York realizado em 16 Maio de 1919 pelo Comandante Albert C. Read

 

                                                                                                    Oliveira                                 

Fernando M. Oliveira                           

Delegado Português da classe de Aerofilatelia na F.I.P.

 

Nas tertúlias aos sábados de tarde no Clube Filatélico de Portugal, o consócio e amigo Mário Dias apresentou-me um postal ilustrado Figura Nº1, colocando a questão se eu sabia algo acerca do assunto. Claro, na altura informei o nosso amigo sobre tudo que me veio à memória sobre o voo do NC4, mas posteriormente pensando melhor, resolvi fazer uma pesquisa mais profunda e elaborar um artigo  para memória futura de forma a habilitar futuros coleccionadores. Este voo não transportou correio por isso o material relacionado com ele, não pode fazer parte de uma colecção de aerofilatelia, mas existe excelente material para uma classe aberta.             

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Figura Nº1  o NC4 Amarando na baía de Ponta Delgada, não no dia 14  mas a 20 de Maio

O postal ilustrado do nosso amigo Mário Dias mostra a fotografia do Hidroavião Navy-Curtiss NC4 amarando na baía da cidade de Ponta Delgada a 20 de Maio de 1919, depois de fazer o percurso cidade da Horta, ilha de São Miguel.

O hidroavião NC4 fazia parte de uma esquadrilha de três hidroaviões composta pelo NC1 e o NC3, e pertenciam à U.S.Navy que se propunha fazer a travessia do Atlântico Norte, voando de New York para o Canadá, partindo de Trepassey Bay (Terra Nova) directamente para a Europa, escalando os Açores. Havia um prémio de 10.000 £ibras instituído pelo jornal “Daily Mail” para quem conseguisse levar acabo a proeza.

John Towers um dos principais cérebros do empreendimento tinha elaborado um plano de voo, o qual se socorria ao uso de 22 navios da Marinha que seriam colocados ao longo do percurso da primeira etapa, distanciados de cerca de 50 milhas entre si, e equipados com holofotes que auxiliariam a navegação dos hidroaviões, dando indicação do rumo a seguir. Os hidroaviões dispunham de equipamento de rádio para comunicarem com os barcos e entre si.

Na preparação da viagem, estava prevista na primeira etapa uma escala em Ponta Delgada, e como amaragem alternativa a baía da cidade da Horta.

Após longos preparativos os hidroaviões partiram de Trepassey Bay pelas 18 horas do dia 16 de Maio de 1919. A primeira parte do percurso dos hidros a serem orientados pelos “destroyers” correu normalmente, até a aproximação da Ilha das Flores já de madrugada onde o “nevoeiro”, dado que não tinha sido previsto pela marinha americana, produziu os seus efeitos. Os hidroaviões com a visibilidade praticamente reduzida a zero e o combustível a chegar ao fim, os comandantes dos hidros NC1 e NC3 optaram por uma amaragem de emergência em pleno oceano, na esperança de serem localizados pelos”destroyers”. O hidroavião NC4 com o nome de”Liberty” comandado por ALbert C. Read cumprindo o plano de voo alcançou a baía da Horta onde amarou às 13.23 GMT, do dia seguinte.

O NC1 ao fazer a amaragem em pleno mar foi destruído por vagas alterosas e a sua tripulação recolhida pelo navio grego “IONIA” que os transportou para a cidade da Horta. O NC3 chegou a Ponta Delgada no limite da sua capacidade e em circunstâncias dramáticas. O hidro amarou a cerca de 200 milhas de Ponta Delgada e devido a avaria do emissor de Rádio, a tripulação não conseguiu contactar os “destroyers” de apoio sendo arrastado pela corrente ao sabor da mareta. Auxiliado por dois motores que ainda funcionavam, ao fim de 53 horas de navegação marítima o NC3 entra na baía de Ponta Delgada, com o comandante Jonh Towers e a tripulação exaustos e o hidro danificado incapaz de voar.

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Figura  Nº 2 Mapa do percurso da Esquadrilha dos Navy-Curtiss

Jonh  Towers  é o primeiro piloto mundial a entrar com um hidroavião no porto de Ponta Delgada, uma vez que Albert C. Read e o NC4 se encontravam na cidade da Horta, mas o NC3 está de tal maneira danificado que não pode prosseguir a viagem até Lisboa.

O secretário de Estado da Marinha Americana Josephus Daniels envia mensagens de felicitações aos aviadores e sabendo que J. Towers não pode prosseguir devido ao NC3 se encontrar avariado dá ordens para que regresse de barco a Plymouth.

Read e o NC4 “Liberty” estacionados na cidade da Horta, aguardam condições atmosféricas mais favoráveis para partirem para Ponta Delgada, o que aconteceu no dia 20 de Maio de 1919 pelas 14.30 horas.

Após uma viagem de 1 hora 40 minutos, o comandante Read e os seus companheiros chegam a Ponta Delgada tendo uma recepção grandiosa por parte da população, igual à que foi dispensada a Jonh Towwers quando dias antes entrou no porto com o seu NC3.

Após uma longa paragem nos Açores devido ao mau tempo, Albert C. Read descola de Ponta Delgada para completar as últimas 800 milhas náuticas do projecto, continuando a socorrer-se da ajuda dos navios balizadores da U.S.Navy. Read chega a Lisboa ao fim de 11 dias aos comandos do seu trimotor NC4 “Liberty”, e assim completar a PRIMEIRA TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO NORTE, Figura Nº 3

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Figura nº3 Hidroavião NC4 a amarar no Rio Tejo defronte de Santa Apolónia completando a primeira travessia aérea do Atlântico Norte. (Cortesia do Serviço de Documentação   da A.N.A. S.A.-3069/DOC

Quando o hidroavião amarou no Rio Tejo, os sinos das Igrejas de Lisboa repicaram comemorando a realização do feito.

Em 27 de Maio de 1986, sessenta e sete anos depois do feito de Albert C. Read por iniciativa do Embaixador Americano Sr. Frank Shakespeare, realizou-se  um voo réplica com o mesmo percurso do realizado por Read e os seus companheiros em Maio de 1919. Os dois aviões Catalina tipo PBY simularam uma amaragem no Rio Tejo, defronte da Torre de Belém indo de seguida aterrar no Aeroporto de Lisboa estacionando no AB1, onde decorreram as cerimónias oficiais. No âmbito das comemorações, foi editado pela Embaixada Americana um opúsculo referente ao evento. Figura Nº4

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Figura Nº4 - Opúsculo editado pela Embaixada da América do Norte, comemorando a realização de um voo réplica do NC4 em 1919.

 

 

Bibliografia:

A conquista do ar – Fernando Lima, Ano de 1942

Atlantic Mail Flights – N. C. Baldwin

O Faial na História da Aviação – Carlos R. da Silveira

Actualizado em Quinta, 17 Setembro 2009 23:11
 

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