CFP

Clube Filatélico de Portugal

Lançamento de Correio nos Açores pelo Dirigível LZ 126 (ZR3) / "U.S.S. Los Angeles" em 1924 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Fernando M. Oliveira   
Sexta, 02 Outubro 2009 10:38

 

Lançamento de Correio nos Açores pelo Dirigível

LZ 126 (ZR3) / ”U.S.S. Los Angeles” em 1924

                                                                                                                                                            Oliveira                                                                                                                                                   Fernando M. Oliveira                                                                                                                                        Delegado Português da classe de Aerofilatelia na  F.I.P.

 

 

Estamos no rescaldo da I Guerra Mundial 1914 -1918 e segundo o que foi determinado pelo Tratado de Versalhes em vigor a partir de 10 de Junho de 1920, à Alemanha foi exigida a reparação dos danos causados pelo conflito, como nação derrotada.

Cada um dos países aliados que venceram o conflito iria receber, entre outras coisas, dirigíveis alemães como reparação de guerra ou valor semelhante. A ideia de rendição incondicional era tida como inaceitável por muitos alemães por ser humilhante e era previsível que muitos iriam reagir. Antes da América receber a sua parte dos 7 dirigíveis acordados no tratado, eles foram destruídos por uma unidade especializada na reparação de dirigíveis adstrita à marinha alemã.

À Alemanha foi proibido pelos Aliados que a sua indústria em sérias dificuldades económicas, pudesse construir dirigíveis de cariz militar reduzindo drasticamente as suas dimensões e impuseram dimensões de construção aos destinados à exploração comercial.

Em 1920 a poderosa Companhia Zeppelin tornara-se numa modesta fábrica de artefactos para uso doméstico e este declínio mais se acentuou com a morte em 1917 do Conde Ferdinand von Zeppelin.

A Companhia Zeppelin tornou-se num alvo apetecido entre facções rivais que queriam controlar a empresa, conflito que acabou por se prolongar no tempo, acabando o governo de Hitler pela injecção de dinheiro em 1934 e gerir a empresa tornando-a num instrumento da propaganda nazi.

Após o incidente da destruição dos dirigíveis, e à revelia dos outros membros da Aliança, a Comissão Militar Americana invocando ainda o Tratado de Versalhes, negoceia uma proposta de Hugo Eckener, sucessor de Ferdinand von Zeppelin, para a construção e entrega à América de um dirigível tipo ZR3  (Zeppelin de estrutura Rígida),integrado no valor a receber pelos Estados Unidos  como reparação de guerra.

Hugo Eckener deu a sua palavra como cumpriria o contracto afirmando que seria ele próprio que comandaria o dirigível na travessia do Atlântico, mas os americanos teriam de auxiliar a Companhia Zeppelin com meios materiais, visto esta não ter recursos financeiros para avançar com o projecto.

Com o desastre ocorrido no voo de ensaio do R38, o maior dirigível até então construído pelos aliados, a elite dos técnicos americanos e ingleses que iam a bordo morreram o que ocasionou um rude golpe na construção de dirigíveis por estes países, e que levaria alguns anos a recuperar.

Em face das circunstâncias, a Comissão Militar Americana aceita a proposta de Hugo Eckener e assina em nome da marinha Norte Americana o contracto da construção do LZ126 tipo ZR3 / U.S.S. Los Angeles. Fig. Nº1

 
f1
Fig nº1 Fase de construção do Dirigível LZ126 /U.S.S Los Angeles nos hangares da Comp. Zeppelin em Friedrichshafen.

 

Características do LZ126/U.S.S. Los Angeles:

Comprimento:                                                                 200 Metros

Diâmetro:                                                                          27,65 Metros

Volume:                                                                             70.000 Metros cúbicos 

Gaz de insuflação:                                                         Hidrogénio

Peso:                                                                                   46.000 Quilos     

Velocidade máxima:                                                    126 Km/hora  

Motorização:                                                                   5 motores Mayback de 410 c.v  

 

Depois de vários voos de ensaio sobre a Alemanha, o voo inaugural da travessia do Atlântico Norte para entrega do dirigível ocorreu no dia 12 de Outubro de 1924, tendo sido embarcado cerca de 150 kg de correio. No momento do embarque da tripulação uma notícia publicada no matutino D N do dia 14, com origem em Berlim dava conta que tinha sido preso um estudante da Saxónia que de carabina em punho se preparava para disparar sobre o comandante Hugo Eckener, tal o clima de contestação que existia na Alemanha no pós guerra.

Neste voo o dirigível LZ 126/U.S.S “ Los Angeles” na sua passagem pelos Açores sobre a ilha Terceira ao sobrevoar a cidade de Angra do Heroísmo no dia 13 Outubro cerca das 14 horas, fez descer por corda algum correio que de imediato foi entregue ao cônsul da Alemanha na cidade. Somente são conhecidos 20 exemplares enviados pela tripulação aos seus familiares na Alemanha.

                O consulado alemão em Angra do Heroísmo certificou a recepção do correio com o carimbo do consulado, franquiou a correspondência com a quantia de 96 centavos em selos Ceres para postais, relativa ao serviço internacional, enviando esta na mala diplomática para Lisboa onde foi entregue na 4ª secção da Estação central dos Correios de Lisboa e recebeu a marca de 25-10-1924.  Fig. Nº 2

A razão porque o correio descido em Angra do Heroísmo não é franquiado com selos alemães nem tampouco é aposto qualquer carimbo de Bordo, prende-se com o facto do dirigível ser já propriedade norte-americana e não dispor de selos deste país a bordo. Somente foi aposto com carimbo de borracha, ficando um pouco sumido a indicação “ LZ126.

O correio embarcado em Friedrichshafen e destinado aos Estados Unidos, esse sim é todo franquiado com as taxas de 1 DM para cartas e 50 pf para postais.


fig2
Fig nº2 Postal largado pelo dirigível LZ126/U.S.S. Los Angeles em Angra do Heroísmo. Peça filatélica  da colecção do autor.
 

O Registo de matricula dos dirigíveis adoptado na Alemanha e por conseguinte pela Fábrica de Ferdinand von Zeppelin, é iniciada pelas letras LZ…..seguida do número de série e depois o nome de baptismo atribuído conforme abaixo exemplificado:   

1.       LZ120 “Bodense” Entregue aos italianos como reparação de guerra. Tomou o nome de “Espéria”

2.       LZ121 “Nordstern” Entregue aos franceses como reparação de guerra. Tomou o nome de “Mediterranée”

3.       LZ126 – ZR3 “Los Angeles” Dirigível construído de raiz destinado à Marinha Norte Americana como compensação de guerra. (ver texto)

4.       LZ127 “Graf Zeppelin” Autorizada a sua construção pelos aliados para exploração comercial da própria Companhia Zepplin. Foi o dirigível com mais anos de actividade entre 15/10/1928 e 12/5/1937.

5.       LZ129 “Hindenburg”  Dirigível construído pela German Zeppelin Transport sucessora da Companhia de Ferdinand von Zeppelin.

6.       LZ130 “Graf Zeppelin II”

7.       LZN07 „Friedrichshafen“ Dirigível ligeiro com nova tecnologia.

O que atrás mostramos aos leitores é para reforçar, quão é errado darmos o nome de Zeppelin a tudo o que se refira a qualquer dirigível sem o identificar pelo número de matrícula ou o nome de baptismo.

Este esclarecimento tem o fim de elucidar principalmente os não Aerofilatelistas a terem uma visão mais clara sob o tema dos “Dirigíveis Alemães”.

 

                Bibliografia consultada:

Jornal Diário de Noticias de Outubro 1924

Zeppelin Katalog Sieger Verlague 22ª edição/Maio 2001

The adventure of an Aerial Globetrotter, Vaeth J. Gordon New York 1959

 

Lisboa / Novembro de 2005

Actualizado em Sexta, 02 Outubro 2009 10:50
 

Procura

 
Joomla 1.5 Templates by Joomlashack