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Clube Filatélico de Portugal

Obliterações sobre selos da Companhia do Niassa (1893-1929) * Estudo de Marcofilia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Paulo Roriz Sequeira   
Quarta, 07 Outubro 2009 14:40

 

Obliterações sobre selos da Companhia do Niassa (1893-1929)

Estudo de Marcofilia

                                                                                                                                                                           
                                                                                                                                                      Paulo Sequeira
                                                                                                                                                             Paulo Sequeira

 

 

1. Obliterações da Companhia do Niassa

                Creio ser inédito o estudo das obliterações da Companhia do Niassa, daí este trabalho que lista as obliterações utilizadas nos selos desta companhia majestática.

                Está organizado por ordem cronológica, apesar de serem insuficientes as peças existentes para determinar com precisão o início de utilização de cada tipo de carimbo.

                Espero que este artigo seja do seu interesse e agrado.

 MAPA
 

                2. Origem da Companhia do Niassa

                “.... Seguiu-se a criação em 1891, pelo prazo de 35 anos, da ‘’Companhia do Niassa’’, igualmente majestática, concedida a um grupo financeiro português com poucos recursos financeiros.  O território da Companhia do Niassa, abrangia todas as terras a norte do rio Lúrio, cobrindo cerca de 160.000 Km quadrados, compreendendo as províncias do Niassa, de Cabo Delgado e ilhas situadas próximo da costa.

                Mas, foi somente entre 1892 e 1893 que a Companhia iniciou, de facto, a sua actividade quando interesses ingleses e franceses, adquiriram a Carta Majestática ao grupo português.

                Quando a Companhia tomou posse do território, a zona não estava militarmente dominada. A ocupação militar iniciou-se em 1899, apoiada por um corpo expedicionário do Estado.

                A Companhia cobrava impostos; exportava mão de obra compulsivamente, destinada às minas da África do Sul, às minas de cobre de Congo e para algumas Companhias da baixa Zambézia; utilizou trabalho forçado para as quintas dos administradores e dos capatazes da Companhia, muitas vezes gratuitamente e para o transporte de mercadorias; detinha o monopólio das taxas aduaneiras de importação e exportação, comércio, do fabrico e da venda de bebidas alcoólicas, da exportação de esponjas, corais, pérolas e âmbar da costa e ilhas situadas na área da sua influência; exportava produtos das colheitas dos camponeses: borracha, café e pau-preto.

                Em 1913-1914, um consórcio bancário alemão, adquiriu a maioria das acções da Companhia do Niassa para, eventualmente, apoiar a ocupação alemã do Tanganyika (colónia que manteve até o fim da primeira guerra mundial) ao interior norte de Moçambique.

                A pretensão alemã, foi frustrada pelo Tratado de Versalhes de 1919, quando a Alemanha perdeu a guerra. Antes porém, em 1917, no decurso da primeira guerra mundial, já o Governo britânico tinha confiscado as acções do grupo alemão, tendo-as depois vendido a um grupo financeiro inglês.

                A Companhia extinguiu-se em 1929.”

 

3. Catálogo de obliterações postais

 

TIPOS DE CARIMBOS DA COMPANHIA DO NIASSA

    C1
 

TIPOS DE CARIMBOS ESTRANGEIROS

C2


 

3.1. Obliterações da Companhia do Niassa

 

1898

CNC01 Duplo circular datado, “COMPANHIA / DO NYASSA”

F01           F02
 

1898

CNC02 Duplo circular datado, “COMPª DO NYASSA” em cima

 IBO IBO, azul IBO, violeta

 

F03      F04     F05
 

1903

CNC03 Duplo circular datado, “COMPANHIA DO NYASSA” em cima e “CORREIO DE“ em baixo

 IBO MOCIMBOA, violeta
 IBO, azul PORTO AMELIA, azul
 IBO, verde PORTO AMELIA, azul (sem dígitos na caixa)
 MEDO PORTO AMELIA, violeta
 MEDO, azul QUISSANGA, azul
 MEDO, violeta QUISSANGA, violeta
 MOCIMBOA, azul 
 

F106      F107
 
FI08      FI09
 

Nota: o carimbo de Porto Amélia deste tipo parece ter sido usado durante pouco tempo na estação, pois são poucas as peças conhecidas apesar de ser um carimbo vulgar em selo.

 

1903

CNC04 Duplo circular datado, “COMPª DO NYASSA” em cima, caixa com cantos cortados e ano com 4 dígitos

 
 AMARAMBA CORREIO LURIO
 AMARAMBA, violeta CORREIO LURIO, azul
 CORREIO DO LAGO PORTO AMELIA
 CORREIO DO LAGO, violeta PORTO AMELIA, azul
 
FI10      FI11
 
F12
 
 

Posterior a 1903

CNB05 Duplo oval sem data, “COMPANHIA DO NYASSA” em cima, “CONCELHO / DE” ao meio

 AMARAMBA, violeta LAGO, violeta
 
          F14             FI13
 

 Nota: deste tipo de carimbo não se conhecem peças e a sua função é desconhecida, podendo ser de uso Administrativo ou Fiscal.

 

1910

CNC06 Hexagonal datado, “COMPª DO NYASSA”  em cima com caixa rectangular de cantos cortados, ornamentos em baixo

 AMARAMBA METARICA
 AMARAMBA, azul METARICA, violeta
 AMARAMBA, violeta MOCIMBOA
 IBO MONTEPUEZ (letras no mês)
 IBO, azul MUCOJO
 LAGO MUCOJO, azul
 LAGO, azul MUCUFI
 LAGO, violeta PORTO AMELIA
 LURIO QUISSANGA
 LURIO-NYASSA (letras no mês) QUISSANGA, azul
 MECUFI QUITARAJO
 
FI15      FI16
 
FI17
 

1910

CNC07 Duplo circular datado, “COMPANHIA DO NYASSA”  em cima, 2 dígitos no ano

 CORREIO DE PALMA MOCHELIA
 
FI18      FI19
 
 

1915

CNG08 Circular datado, “EXPEDIÇÃO...”

 EXPEDIÇÃO / CORREIO / A / MOÇAMBIQUE (31 OUT 1915)
 EXPEDIÇÃO MILITAR A MOÇAMBIQUE / SERVIÇO POSTAL, violeta (7 JUN 1916)
 
FI20           FI21

 

Estes carimbos poderão ter sido utilizados a obliterar selos em Registos e Encomendas, uma vez que o correio ordinário estava isento.

 

1924

CNC09 Hexagonal datado, “COMPª DO NYASSA” em cima, com caixa rectangular e losango em baixo

 MAHUA, violeta METONIA
 
FI22    FI23   FI24   FI26
 
 

3.2. Inutilizações manuscritas

CNP01 Montepuez

FI27
Montepuez * 17/2/15
 

Apesar de nessa época em Moçambique serem diversas as inutilizações manuscritas de origem militar, apenas se identifica Montepuez na Companhia do Niassa.

 

3.3. Obliterações marítimas Portuguesas

 

CNM01 PAQUEBOT

FI28      FI28
 

 

3.4. Obliterações marítimas estrangeiras

 

Os carimbos e as peças que se apresentam pertencem às linhas alemãs que operavam na altura. No entanto, após 1929, existem peças possivelmente circuladas com carimbos marítimos de companhias estrangeiras que deveriam ter sido porteadas, pois os selos perderam a sua validade. Este tipo de peças não foi contemplado neste estudo por se considerarem peças circuladas fora do período.

 

1898

CNN01 Linhas Alemãs, circulares DEUTSCHE SEEPOST em cima

 OST-AFRIKANISCHE ZWEIGLINIE OST-AFRIKANISCHE ZWEIGLINIE II
 
FI30    F32   FI33
 
 

1901

CNN02 Linhas Alemãs, circulares DEUTSCHE SEEPOST em cima

 OST-AFRIKANISCHE HAUPTLINIE (b)
 
FI34      FI37
 
 

1926

CNN02 Linhas Alemãs, circulares DEUTSCHE SEEPOST em cima

 LINIE HAMBURG OSTAFRIKA II
 
FI38          FI39
 

 

3.5. Obliterações militares estrangeiras

Durante a 1ª Guerra Mundial tropas Britânicas estiveram estacionadas em Metangula, para combater as tropas Alemãs no território Português. Estas tropas utilizaram selos da Companhia do Niassa por imposição da Companhia durante a sua permanência no território. Para o efeito os correios forneceram cerca de 207 séries da emissão D. Manuel com REPUBLICA, para serem aplicadas nos Registos e Encomendas.

                As peças são raras e nem todas parecem ter circulado devidamente, pois algumas não têm marcas de trânsito. Também aparecem séries completas que indiciam carimbos de favor.

 

CNW01 NYASALAND, FF 2

CNW02 NYASALAND, FF 2

             ( “S” e “D” invertidos)

CNW03 F.P.O. 3

FI40      FI41

 

Nota: o FF 2 conhece-se entre 5/3/18 e 3/8/18 e o F.P.O. 3 em 3/8/18 e 17/8/18.

FI42      FI50      FI51        FI53
“S” e “D” invertidos
 

 

3.6. Obliterações estrangeiras de chegada

 

CNX01 S. VICENTE, Cabo Verde

CNX02 SUVA, capital das Ilhas Fiji

CNX03 ZANZIBAR

FI60    FI61
 

 

3.7. Obliterações falsas

 

As obliterações falsas são inúmeras nos selos da Companhia do Niassa, em especial com marcas “estranhas”, isto é, mudas e outras mal batidas. Os elevados excedentes de selos novos derivado da escassa utilização dos selos, junto aos interesses comerciais filatélicos, provocaram a obliteração de selos com carimbos genuínos fora de época e com outros carimbos “estranhos”.

                É de notar que é um dos territórios do Império Colonial Português com poucas peças em relação à quantidade de selos usados que existem.

FI63    FI64   FI65
 

Este carimbo parece ser uma falsificação da localidade MUCUFI, pois aparece batido em reimpressões e quase sempre com carimbos de canto.

FI70           FI71
 

 

4. Organização Postal

Segundo os anuários de Moçambique que consegui consultar, referentes a 1908 e a 1917, a estrutura manteve-se inalterada apresentando 29 estações, das quais:

·          2 de 1ª Classe: Ibo e Porto Amélia;

·          8 de 3ª Classe com serviço de correspondência ordinária, registos e encomendas;

·          19 de 3ª Classe apenas com serviço de correspondência ordinária.

 

Lista das estações da Companhia do Niassa (1908-17)

 Chifembe3ª Classe Cor. OrdináriaNão foi identificado carimbo
 Chunde (Quianga)
3ª Classe Cor. OrdináriaNão foi identificado carimbo
 Coboé3ª Classe Cor. OrdináriaNão foi identificado carimbo
 Forte D. Luis Filipe3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 Ibo
1ª Classe Cor. Registos, Encomendas 
 Kuamba3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 Lipuchi   
3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 Luangua
3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 Lúrio (Niassa)
3ª Classe Cor. Registos
 
 Matin3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 M’luluka (Luambala)3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 Mocímboa  
 3ª Classe Cor. Registos 
 Mocímboa do Rovuma3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 Mocojo 
3ª Classe Cor. Ordinária
 
 Montepuez (Medo)3ª Classe Cor. Registos
 
 M’peça3ª Classe Cor. OrdináriaNão foi identificado carimbo
 M’salu  
3ª Classe Cor. OrdináriaNão foi identificado carimbo
 M’tangula 
3ª Classe Cor. Registos  
Lago, FF2 e FF3
 M’tonia  
3ª Classe Cor. Ordinária 
 Mualia 
3ª Classe Cor. Registos
Não foi identificado carimbo
 Nangadi
3ª Classe Cor. OrdináriaNão foi identificado carimbo
 Naquidanga3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 N’gomano3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 Palma (Tungue)3ª Classe Cor. Registos
 
 Porto Amélia (Pemba)1ª Classe Cor. Registos, Encomendas
 
 Quiçanga3ª Classe Cor. Registos
 
 Quitarajo3ª Classe Cor. Ordinária
 
 Tambalale (Amaramba ou Mandinba)3ª Classe Cor. Registos
Amaramba
 Unango
3ª Classe Cor. Ordinária
Não foi identificado carimbo
 

                Da lista dos anuários não se referenciam as seguintes estações no distrito do Niassa: LAGO, que corresponde a Metangula; MAHUA, que deverá ter sido criada mais tarde; METARICA, que deverá ter correspondência indirecta, pois o exemplar observado tem data de 1910. MOCHELIA existe como sendo estação de 3ª Classe com serviço de registos pertencendo ao distrito de Moçambique. Por último, a estação de MUCUFI no litoral sul do distrito de Cabo Delgado, mais tarde chamado Mecúfi, também não é referida. Resumindo, da lista de 29 estações, conhecem-se 11 carimbos com correspondência directa.

Outra análise que se pode fazer em relação à hierarquia das estações, é a seguinte:

1.       das 2 estações de 1ª classe existem peças em quantidade, como seria esperado;

2.       das 8 estações de 3ª classe com serviço de registos, só não foi encontrado Mualia;

3.       das 19 estações de 3ª classe com serviço de correio ordinário, apenas se identificaram 3 carimbos: Mocojo (Mucojo), M’tonia (Metonia; já com tipo de carimbo dos anos 20) e Quitarajo.

 

5. Agradecimentos

 

                Para realizar um estudo desta natureza foi necessária a colaboração de vários filatelistas com material nesta área. A todos eles, distintos filatelistas e amigos, Luis Frazão, José Altino Pinto, John Dahl e Joaquim Trindade os meus agradecimentos.

 

                6. Fontes consultadas e Bibliografia

 

1.        Site de internet “::STOP - O portal de referencia em Moçambique”, http://www.stop.co.mz/

2.        Anuários de Moçambique, 1908 e 1917

3.        Livros diversos de leilões filatélicos

4.        “The use of Portuguese Nyassa stamps by the Nyasaland-Rhodesia Field force in 1918” by A. R. Drysdall, Portuguese Philatelic Society, nº 90, February 1985,  90/1 a 90/6

 

 

Actualizado em Quarta, 07 Outubro 2009 17:09
 

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