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Clube Filatélico de Portugal

Postos Militares na Colónia da Guiné (1899 a 1918) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por José Lima Santos A. Correia   
Quinta, 17 Setembro 2009 11:09

 

Postos Militares na Colónia da Guiné (1899 a 1918)

 

                                                                                                                                                                                               Correia

José Lima A. Santos Correia

 

1 - Introdução Histórica

O Ultimatum inglês, que havia desfeito brutalmente o sonho do Mapa Cor de Rosa, teve no entanto a vantagem de sacudir o país, num estremecimento patriótico, que despertou a sua atenção para a África e patenteou aos olhos das gentes esclarecidas os riscos que ali nos fazia correr a voracidade dos estranhos pouco escrupulosos.

O Congresso de Berlim estabelecera o princípio, que os direitos históricos não eram suficientes para legitimar a posse das colónias e, que só o domínio efectivo tornava isso aceitável. Tal entendimento fazia que sobre o nosso futuro pairasse a ameaça de cobiças externas insofridas. 

                Havia pois que fazer algo e depressa, o objectivo estava bem definido: tornar a posse de direito em posse de facto.

Para atingir tal fim, era necessário adaptar ás condições modernos, os métodos que já tinham sido empregues por nós nas penetrações anteriores. Assim, foi entendido, seguir os métodos utilizados pelo francês Bugeaud e o italiano Gallieni em idêntica situação.

E em que consistiam esse métodos?

Assentavam no princípio de que a ocupação não deveria assentar, exclusivamente, em operações militares, mas, sim, empregando também, a acção política. Os territórios a ocupar foram divididos administrativamente, de acordo com as suas condições próprias e de modo a permitir o seu desenvolvimento natural. A cada divisão (entre nós Capitanias - Mores, Comandos e Postos Militares) correspondia uma determinada força e os comandos territoriais e militares estavam concentrados nas mesmas mãos.

Era pois importante começar a acção política que devia preceder a acção militar. Começou-se por estabelecer contactos com os indígenas, procurando acordos com os Régulos, em seguida passou-se à construção estradas, rede telegráfica, etc.

Entretanto Eduardo Costa codifica e apresenta um projecto de instrução para o Serviço de Campanha em África ao Estado-maior do Exército. De realçar a recomendação dada para que sempre que o emprego da força se tornasse inevitável, as operações a levar a cabo, embora conduzidas com vigor, tivessem presente a necessidade de evitar destruições inúteis.

Por Decreto – Lei de 14 de Novembro de 1901, reorganiza-se o exército, dotando-se as colónias com um instrumento de guerra adequado ao fim que se tinha em vista. As guarnições das províncias foram constituídas essencialmente, por um número de companhias indígenas independentes, enquadradas por europeus e apoiadas por pequenos núcleos de tropas brancas.

 

2 - Postos Militares

 

2.1 - Postos de S. Domingos e Cacine

No período do Governador Álvaro Herculano da Cunha, após vários combates, é aberto o posto administrativo e militar de S. Domingos, em 26 de Julho de1899, em território Balanta. Ao mesmo tempo é aberto um posto do mesmo género em Cacine, para assegurar a defesa da fronteira sul da colónia.

De notar que Cacine resulta de uma troca efectuada entre Portugal e França, tendo nós cedido a título definitivo o enclave de Casamansa.

f1a          Cacine

             Figura 1 - São Domingos                    Figura 2 - Cacine

 

2.2 - Posto do Arame

Em Março de 1901 o Governador Júdice Biker, organiza uma expedição militar contra os Falúpes, junto à fronteira com o Senegal, na zona do Arame, que é tomada de assalto em 17 de Março 1901. Nesse mesmo sítio é por ele mandado erguer um posto militar e um posto alfandegário a fim de travar o comércio que os franceses faziam com as tribos Falúpes.

Arame     Arame

Figura 3 - Arame

 

2.3 - Posto da ilha Formosa

O Governador Muzanty organiza em meados de Março de 1907, uma expedição á ilha Formosa, no arquipélago dos Bijagós, a fim de pacificar e também cobrar os impostos devidos pelos indígenas, expedição esta comandada pelo capitão José Xavier Teixeira de Barros que ergue nesse mesmo ano um posto militar e administrativo.

Ilha Formoza

Figura 4 - Ilha Formoza

Formosa   Formosa

Figura 5

 

2.4 - Postos erguidos pelo Governador Carlos Almeida Pereira

Pouco tempo após a sua tomada de posse o Governador Carlos Almeida Pereira, dá início a várias expedições militares em todo o território da Guiné. Solidifica a sede do governo em Bissau e implanta medidas de acompanhamento e amplificação de postos militares, alargando os serviços postais pelo mato.

Joaquim Basílio Cerveira Sousa Albuquerque e Castro, no seu relatório ao Congresso da República, na sessão legislativa de 1912/13, refere a existência dos seguintes postos militares:  Arame; Bambamdinca; Bissourã; Cacine; Carenque; Cuanda; Xime; Gole ou Goli; S. Domingos; Formosa; Xitol; Simbor; Quinara; Cibisseque; Ilhéu do Rei; e Cadinca. Note-se que na lista apresentado alguns dos postos mencionados, tinham também funções administrativas.

Bambadinca                Chime                 Xitol

                                                        Figura 6 - Bambadinca                  Figura 7 - Chime                  Figura 8- Xitol

Goli

Figura 9

 

2.5 - Reconquista do Posto do Arame e abertura do Posto na região do Oio

João Teixeira Pinto, comandante militar da Guiné ao tempo do Governador Carlos Almeida Pereira foi o obreiro da pacificação quase definitiva do território, ao desbravar o interior com vária expedições militares, tanto de pacificação como de cobrança de impostos devidos pelos indígenas.

Entre 25 de Abril e 18 de Dezembro de 1913 reconquista e pacifica o abandonado posto militar do Arame, varrendo a zona dos Falúpes e dos Majancos da Costa de Baixo, tendo como seu braço direito o tenente da Escola de Guerra Henrique Sousa Guerra, que viria a comandar as operações na zona do Oio, após Teixeira Pinto ter ficado ferido num dos embates com o gentio. Zona de difícil penetração no terreno, sempre insubmissa á presença portuguesa apenas se dominava a sede em Farim.

Após vários combates e provando que era possível derrotar a invencibilidade dos Oincas, Teixeira Pinto e Sousa Guerra, conquistam todo o território, abrindo um posto militar e administrativo no mesmo. Este posto viria mais tarde a dar origem à povoação de Massambá, o qual ficou entregue a José Rodrigues Barbosa.

Mansoa   Mansoa

Figura 10 - Mansoa

Farim   Farim

Figura 11 - Farim

f12   

Figura 12

 

2.6 - Primeira Guerra Mundial

Com o acordo da entrada de Portugal na 1ª grande Guerra Mundial, as águas costeiras da Guiné passam a ser patrulhadas, com o nosso aval, pela marinha de guerra francesa.(Figura 12)

Canchungo

Figura 13

 

2.8 - Ataque da tribo Papel a Bissau

Em Março de 1917, as tribos de Majancos da Costa de Baixo assim como os Papeis na zona de Bissau, revoltam-se, apanhando as forças portuguesas desprevenidas. O Governador organiza então várias expedições para repelir e impor a autoridade na região, sendo um dos oficiais encarregue dessa missão o tenente António Pereira Saldanha, o qual se viria a notabilizar, quer no ataque aos Papeis de Bissau quer aos Manjancos, da Costa de Baixo até á zona de Bassorá.

Canchungo

Figura 14 - Canchungo

O estudo que aqui se apresenta abrange apenas o período compreendido entre 1899 e 1918, pelo que, as demais lutas e escaramuças havidas, fora deste período, não cabem nele. A investigação levada a cabo abrangeu a leitura de várias publicações. Todavia, na expectativa da existência de prováveis lacunas, apelamos para a colaboração dos amigos filatelistas.

Assim, cá ficamos à espera do que se vos oferecer dizer sobre tal.

 

 

Bibliografia:

 

“História da Guiné, 1841-1936” – da autoria de René Pelisser (editorial Estampa 2001)

Boletins da Sociedade de Geografia de Lisboa (vários)

Arquivo Histórico Militar

“Anuário da Província da Guiné de 1925” – autor Armando Augusto Gonçalves Morais e Castro.

“Anuário da Guiné – 1946” – autor Fausto Duarte.

“João Teixeira Pinto – Uma vida dedicada ao Ultramar” – autor Carlos Vieira da Rocha – 1970

“Ocupação Militar da Guiné” – autor João Teixeira Pinto (ed. Agência Geral das Colónias – 1936.

Arquivo Histórico Ultramarino

“Compêndio da História Militar e Naval em Portugal – 1931” – autor Carlos Selvagem

Boletim Oficial da Guiné

“Revista Portugal em África”

“História de Portugal e das Colónias” – autor Rocha Martins (ed. Imprensa Nacional de Publicidade – 1930)

“Relatório de Frederico Pinheiro Chagas”

Anais do Clube Militar Naval

“Atlas de Portugal e Colónias, descritivo e ilustrado – 1902” – autor Júlio Gaspar Ferreira da Costa

Actualizado em Quinta, 17 Setembro 2009 11:42
 

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