| Obliterações da Companhia de Moçambique (1892-1942) * |
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| Escrito por Paulo Roriz Sequeira | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Quarta, 30 Setembro 2009 12:01 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Obliterações da Companhia de Moçambique (1892-1942)Estudo de Marcofilia Paulo Sequeira
1. Obliterações da Companhia de Moçambique
Pensei que seria um desafio interessante compilar um catálogo de obliterações da Companhia de Moçambique, pois apesar de existirem alguns artigos publicados sobre o assunto, não existe uma orientação esclarecedora para o coleccionador de Marcofilia. Espero que este trabalho, possa ser mais uma ajuda para todos os interessados neste assunto. No entanto ainda haverá novos tipos e localidades para acrescentar, pois a Marcofilia é uma constante descoberta filatélica. O estudo está orientado cronologicamente desde 1892 até 1942 reproduzindo o tipo de carimbo com indicação das estações que o utilizaram. A “Representação Gráfica do Carimbo” difere da batida e por vezes é ligeiramente diferente do original devido à dificuldade de reprodução. Outras vezes o aspecto da utilização de um carimbo no início e no fim da sua vida é muito diferente, o que dificulta a sua representação. No entanto exibe as características essenciais que permitem identificar o tipo de carimbo.
2. Origem da Companhia de Moçambique “Conferência de Berlim (1884)
A Conferência de Berlim, realizada em 1884, em que participaram, para além da Alemanha (anfitriã), Áustria-Hungria, Bélgica, Dinamarca, Estados Unidos, França, Espanha, Inglaterra, Itália, Países Baixos, Portugal, Noruega e Turquia, definiu a ocupação militar, administrativa, económica e a delineação de fronteiras de territórios controlados pelas potências coloniais, com vista a evitarem-se futuros conflitos armados, entre as diversas potências concorrentes. O atraso económico de Portugal, no século XIX, não lhe permitia realizar o seu projecto colonial à revelia das potências expansionistas mais desenvolvidas, pois os seus recursos financeiros domésticos eram exíguos para as próprias necessidades internas.
Companhias Majestáticas
O aluguer rendoso da soberania e de poderes, foi a solução encontrada por Portugal para suprir as insuficiências financeiras de que padecia, facilitando-lhe a ocupação militar que teria de realizar e permitindo a instalação do aparelho Administrativo que lhe competia fazer, com vista a ocupar efectivamente, as fronteiras coloniais estabelecidas na Conferência de Berlim e afastar a pressão exercidas pelas outras potências coloniais interessadas em partes do território das colónias portuguesas, nomeadamente os ingleses e os alemães. As “Companhias” de colonização, foram largamente utilizadas por quase todas as potências coloniais, para quem transferiam poderes públicos ou soberania, nomeadamente a administração civil e judiciária, a cobrança de impostos, a realização de obras públicas etc... A acção das ‘’Companhias’’ era mais rápida, audaz e flexível do que a dos governos porque usavam processos mais expeditos e sumários no exercício da administração e do policiamento. A primeira ‘’sociedade’’ (1878) a quem foram feitas concessões em Moçambique, na região do rio Zambézia, foi a ‘’Societé des Fundateurs de la Companie du Zambeze’’, organizada pelo oficial do exército português, Joaquim Carlos Paiva de Andrade, que explorou as minas de carvão de Tete, falidas em 1883. Assente na reestruturação das organizações sucessivamente criadas pelo referido militar português, para além da ‘’Companhia de Ophir’’, que beneficiou em 1884 da concessão de exploração exclusiva das minas de Manica e Quiteve, e congregando novos financeiros, formou-se em 1888 a “Primeira Companhia de Moçambique”, a quem um decreto do reino de Portugal datado de 11 de Fevereiro de 1891, conferiu poderes majestáticos para administrar e explorar uma área de 134.822 km quadrados, limitada pelo paralelo 22 a Sul, pelo Zimbabwe a Oeste, pelo rio Zambeze a Norte e Noroeste e pelo Oceano Índico a Leste. A referida área, compreende as províncias de Sofala e Manica, território entre os rios Save e Zambeze.
O Governo português, exigiu o direito de receber 10% dos dividendos distribuídos e 7,5% dos lucros líquidos totais e a garantia de recuperação do território pelo Estado, uma vez expirado o prazo do contrato em 1942. Em contrapartida, a Companhia beneficiava dos seguintes direitos: 1. - monópolio do comércio; 2. - direito de colectar impostos e taxas; 3. - direito de construir e explorar pontes e vias de comunicação; 4. - privilégio de emitir moeda e selos; 5. - monopólio da actividade bancária e postal; 6. - direito de transferir terras para pessoas individuais e colectivas. O Governo português, impunha igualmente, que o corpo administrativo fosse de maioria portuguesa e exigia o privilégio de ractificar as leis e regulamentos a serem aplicados no território sob jurisdição da Companhia.”
3. Catálogo de obliterações postais
1892 ? CMC01 “ADMINISTRAÇÃO DOS CORREIOS / DA / COMP.ª DE MOÇAMBIQUE” em semi-círculo
![]() 1892 CMC02 Duplo circular datado, “CORREIO” em cima
![]() 1894 CMC03 Duplo circular datado, “CORREIO DE” em cima, cantos da caixa em ângulo recto
![]() ![]() 1895 CMC04 Duplo circular datado, “COMPANHIA DE MOÇAMBIQUE” em cima
![]() ![]() ![]() 1898 CMC05 Duplo circular datado, “ADMINISTRAÇÃO ...” à volta
![]() 1900 CMC06 Duplo circular datado, “CORREIO DE” em cima, cantos da caixa datadora cortados
![]() CMC07 Hexagonal datado, partes horizontais da caixa rectas ou pouco circulares
![]() 1902 CMR08 Hexagonal datado “REGISTO/BEIRA”, palavras inscritas em triângulos
![]() 1906 CMA09 Hexagonal datado, “AMBULANCIA/BEIRA” com partes horizontais da caixa rectas
Nota: existe com o bloco datador invertido 1907 CMR10 Hexagonal datado, “REGISTO/BEIRA” com partes horizontais da caixa rectas
![]() 1910 CMC11 Hexagonal datado, “CORREIO” em cima, ano com 4 dígitos
![]() 1911 CMV12 Hexagonal datado, “VALES E ORDENS” em cima, ano com 4 dígitos Existem 2 subtipos deste carimbo com diferentes tamanhos da conjunção “E”, além de outras pequenas diferenças. A característica é a localização do traço do meio do “E”: no primeiro subtipo é visível a aproximação ao traço superior, enquanto que no segundo subtipo se encontra no meio do “E”. Os selos que se apresentam são os dois subtipos.
![]() 1912 CMA13 Hexagonal datado “AMBULANCIA” em cima, ano com 4 dígitos
![]() 1917 CMC14 Hexagonal datado “CORREIO” em cima, partes laterais da caixa ovais nítidas
![]() 1919 CMR15 Hexagonal datado, “REGISTO/BEIRA”, partes laterais da caixa ovais
![]() 1926 CMR16 Hexagonal datado, “REGISTO/BEIRA” com partes laterais da caixa ovais, difere do tipo anterior nas curvas menos acentuadas da caixa.
![]() 1923 CMC17 Hexagonal datado, “CORREIO” em cima, partes laterais da caixa redondas
![]() 1924 CMA18 Hexagonal datado, “AMBULANCIA” em cima, partes laterais da caixa redondas
1925
![]() 1927 CMC20 Hexagonal datado, “CORREIO” em cima, partes laterais da caixa redondas
![]() 1931 CMV21 Hexagonal datado, “VALES E ORDENS” em cima, curvas suaves
![]() 1924 CMA22 Circular datado, “AMBULANCIA” em baixo
![]() 1926 CMC23 Circular datado, “CORREIO” em cima, letras pequenas
![]() 1929 CMP24 Hexagonal datado, “PORTEADA” em cima, laterais da caixa rectas
![]() 1931 CMR25 Hexagonal datado, “REGISTO” em cima, laterais da caixa rectas
![]() 1930 CME26 Hexagonal datado, “ENCOMENDA POSTAL” em cima
![]() 1931 CME27 Hexagonal datado, “ENCOMENDAS POSTAIS” em cima
![]() 1931 CMD28 Hexagonal datado, “VALOR DECLARADO” em cima
![]() 1931 CMC29 Circular datado, “CORREIO” em cima
![]() 1931 CMA30 Circular datado, “AMBULANCIA” em cima
![]() 1932 CMP31 Circular datado, “DISTRIBUIÇÃO” em cima
![]() 1936 CMP32 Circular datado, “POSTA RESTANTE” em cima
![]() Anterior a 1935 CMT33 Numerador com 5 algarismos
1935 CMT34 Hexagonal datado, “COMPANHIA DE MOÇAMBIQUE / SERVIÇO TELEGRÁFICO / CENTRAL BEIRA”
![]() 1935 CMT35 Duplo circular datado, “COMPANHIA DE MOÇAMBIQUE”
![]() 1935 CMR36 Hexagonal datado com hora, “REGISTO” em cima, laterais da caixa rectas
![]() 1938 CMV37 Hexagonal datado com hora, “VALES E ORDENS” em cima, laterais da caixa rectas
![]() 1938 CMC38 Circular datado, “CORREIOS E TELEGRAFOS” em cima
![]() 1938 CMC39 Hexagonal datado, “CORREIO AÉREO” em cima
![]() 1938 CMR40 Hexagonal datado, “CORREIO AÉREO / REGISTOS” em cima
![]() 1942 CMC41 Duplo circular datado, “CORREIOS E TELEGRAFOS” em cima
![]() 3.2. Obliterações mudas datadas
CMU01 Oval datado com barra verticais ![]() CMU02 Hexagonal datado com estrias diagonais ou sem estrias devido à sujidade e ao desgaste (possivelmente seria um carimbo antigo limado) ![]()
3.3. Obliterações mudas
Este tipo de obliteração é muito duvidoso, devendo ser na maior parte dos casos carimbos de favor para satisfazer as necessidades dos coleccionadores de selos usados. Podem ser falsos ou até estrangeiros. Aparecem também noutras colónias tipos semelhantes.
CMU03 oval com 7 barras CMU04 6 barras a azul CMU05 barra grossa, possivelmente marca de barramento de correio aéreo
3.4. Obliterações por identificar
Só se conhecem obliterações parciais, no entanto considero importante aparecerem neste estudo pois podem surgir os complementos das batidas o que permitirá a sua identificação. ![]() Carimbo de borracha de Sofala de origem desconhecida. Possível carimbo Administrativo da Companhia batido a preto e a violeta, com a Árvore das Patacas ao centro. Carimbo batido a violeta de 1933 com “...AL BEIRA” em baixo. Será um carimbo da CENTRAL BEIRA?
3.5. Obliterações falsas
Os selos da Companhia de Moçambique, emissão dos Elefantes, foram alvo de falsificações diversas. Com elas também apareceram carimbos falsos que se apresentam a seguir. ![]() Hexagonal datado com 4 dígitos no Hexagonal datado com 2 dígitos no ano, BEIRA ladeado de estrelas. ano, BEIRA ladeado de estrelas. 3.6. Marcas postais não obliterantes
Estas marcas que se apresentam aparecem como segundo carimbo no selo e não foram utilizadas como obliteração ou como inutilização de recurso.
Além destas marcas também existem selos com marcas de “AR”, de registo , “REFUSÉ / RECUSADO”, “INCONNU / DESCONHECIDO” e outras em selos dos anos 20 dos quais não consegui obter exemplares. Apenas observei um selo com a marca “PAGO”. ![]() Todos os exemplares observados tinham como obliteração o carimbo CMC04 “ADMINISTRAÇÃO ...” ![]() Marca postal “PAGO” Marca postal de REFUGO
3.7. Marcas de empresas com função obliteradora LUDW. DEUSS ... / CHINDE, violeta. Empresa de transporte fluvial no rio Zambeze
3.8. Obliterações de companhias ferroviárias Inglesas
A exploração da rede ferrovária foi feita através de concessões a empresas de caminho de ferro criadas para o efeito, controladas por empresas ferroviárias de maior dimensão já instaladas na região Africana. Estes carimbos pertencem às empresas concessionárias da linha da Beira. Carimbos da linha Trans-Zambézia, que ligava Dondo a Murraça só são conhecidos em selos de Moçambique na emissão Império. CMF01 Beira Railway Cº, Ltd. / Umtali ![]()
1927 CMF02 Beira & Mashonaland & Rhodesian Railways / Gondola
1935 CMF03 Duplo circular com R. RLY LTD em cima (Rhodesian Railways Ltd.)
![]() CMF04 Beira & Mashonaland & Rhodesian Railways / Macequece Station
3.9. Obliterações marítimas Portuguesas
CMM01 PAQUETE / PAQUEBOT CMM03 PAQUEBOT / PAQUEBOY ![]() ![]() ![]() CMM02 PAQUEBOY CMM04 Carimbo com PAQUETE-PAQUEBOT inscrito num rectângulo com cantos arredondados
![]() 3.10. Obliterações marítimas estrangeiras
1898 CMN01 Linhas Alemãs, circulares DEUTSCHE SEEPOST em cima
![]() CMN02 Duplo circular MOMBASA / PAQUEBOT (Quénia)1898 ![]() CMN03 Linhas Egípcias, oval KHEDIVIAL MAIL LINE
CMN04 Linhas Holandesas, rectangular datado * H. AFR. L. (Holland-Africa Lijn) em cima
1937 CMN05 Linhas Alemãs, duplo oval DEUTSCHE SCHIFFSPOST, DEUTSCHE AFRIKA-LINIEN HAMBURG-AFRIKA a - Adolph Woermann ![]() CMN06 Linear S.S. “PAKLIWA” a violeta ![]()
3.11. Obliterações estrangeiras de chegada
CMX01 Circular UMTALI / RHODESIA CMX02 Circular SALISBURY / MASHONALAND CMX03 Circular ZANZIBAR
4. Lista das localidades com obliterações conhecidas (ortografias diferentes)
É possível que existam marcas das seguintes localidades: Chimanimani, Mavita, Machipanda, Sança entre outras. São referenciadas por terem estação postal, mas ainda desconhecidas obliterações sobre selos da Companhia de Moçambique. Em relação à marca de Chiramba, consta na lista dos carimbos do Museu Postal de Moçambique e ainda observei um postal máximo de favor, possivelmente do tipo CMC17. Apesar de parecer não ter sido usado na estação, não deixo de referir esta particularidade.
5. Considerações finais
Finda a concessão em 1942 é normal aparecerem selos de Moçambique com os carimbos da Companhia, em especial com os tipos de carimbos mais recentes utilizados nos anos 40. Também aconteceu esporadicamente, a utilização de obliterações de Moçambique em selos da Companhia (por ex: Chinde, Coluna do Barué).
6. Agradecimentos
Este estudo só foi possível graças à colaboração e disponibilidade total dos distintos amigos filatelistas: Joaquim Trindade, Guilherme Rodrigues, José Altino Pinto, Luís Frazão e Francisco Simões. Uns especialistas em Moçambique, outros em assuntos transversais às nossas colónias, deram a sua importante e inevitável contribuição num estudo desta natureza, com as suas peças e conhecimentos. Só me resta apresentar os meus agradecimentos a todos os envolvidos.
7. Bibliografia e fontes consultadas
Site de internet “::STOP - O portal de referencia em Moçambique”, http://www.stop.co.mz/ “Marcofilia do Serviço Postal Ambulante de Portugal e Ultramar”, Guedes de Magalhães, NAFCP, 1986
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| Actualizado em Quinta, 01 Outubro 2009 15:55 |